domingo, 22 de Novembro de 2009

Tudo ao contrário...


M., o bad boy comprometido e sem sentimentos - Porque é que eu não te conheci a ti primeiro...?

Eu, a sentimental de serviço - ................... (merda.....)


Está tudo ao contrário....

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Não te digo nada.

As palavras nunca foram suficientes para ti. Para te mostrar, para te explicar, para te contar. Para te dizer quanto eras - nunca chegaram. E continua a ser assim. Sentado à minha frente, recostado na cadeira, pernas meio abertas, copo com Frize de limão à frente, falas-me sobre a tua vida nos últimos dias (só sobre uma parte dela, o resto também não quero saber), com o sorriso aberto a espreitar de vez em quando. O sorriso, sempre o raio do sorriso. Sempre esses lábios grossos a chamarem-me a atenção. De vez em quando, a conversa pára por uns segundos, olhas para o lado ou para o telemóvel, e eu aproveito para te apreciar. A pele lisa e morena, as bochechas que dão vontade de beijar, os olhos grandes e ternos sempre que olham para mim. Sacana, és mesmo giro. Ainda mexes comigo, sabes? Se calhar não sabes, eu não te mostro. Enquanto estou contigo, neste café, na zona dos não fumadores, nem penso nele. Quando volto a pensar, ele já nem tem a mesma piada. Porque és tu... Foste sempre tu, serás sempre tu. Tu. É em momentos como este que eu tenho a certeza que o dia em que vais ser-me indiferente não há-de chegar. Sei-te noutras companhias, imagino que algumas sejam femininas, eu própria tenho outras companhias quando quiser, mas nós... às vezes parece que vamos ser sempre nós. Este blog é para despejar tudo o que não posso dizer-te, todas as vezes em que não posso beijar-te, todas as mãos que me tocam em vez das tuas, porque a nossa história se tornou impossível. E apesar de já estar noutras mãos, arrepio-me ao imaginar outros corpos nas tuas. Espero que não o saibas, que não sonhes sequer. Porque espero, acima de tudo, que sejas feliz. E fui eu que parti a tua felicidade, que te deixei de mãos vazias, por isso espero que voltes a ser feliz. Mas as palavras nunca me chegarão para te contar, para que possa olhar-te e contar-te, uma por uma, todas as minhas divagações. Por isso eu não te digo nada, mesmo quando me apetecia dizer-te tudo, de vez... outra vez.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Talvez um dia...

Um dia talvez volte a encontrar-te. Ou talvez deixe de te encontrar. Não de te ver, mas de te encontrar, de nos encontrar por aí. Estamos cada vez menos nas esquinas que cruzávamos, nas calçadas que pisávamos, nos finais de tarde em que dávamos as mãos. Um dia talvez deixe de te ver em cada pôr-do-sol, de te sentir a mão no rosto quando estou triste, talvez deixe de me sentir no teu abraço quando me encontro só. Um dia talvez deixe mesmo de procurar-te. De querer saber de ti. Um dia, talvez o espaço que ocupas no meu peito seja um espaço limitado, um cantinho, e não um aperto que ainda transborda calor e ocupa outros espaços, e talvez um dia eu possa dizer que te amei, num pretérito mais-que-perfeito que me encheu o coração. Talvez um dia eu possa ver-te noutros braços e apenas ficar feliz por ti, sentir o meu peito encher-se de calor porque tu estás feliz. Um dia, talvez eu mesma possa estar feliz noutros braços que não os teus. É, um dia talvez volte a deixar alguém entrar, talvez veja um sorriso que me chame a atenção e talvez consiga reparar nele sem pensar em ti. Um dia talvez eu possa sorrir por dentro e sentir-me preenchida e ter a certeza de que não fiz a maior asneira da minha vida ao deixar-te ir, e talvez tu mesmo possas dizer-me que não fiz. Um dia, talvez os planos que tínhamos para nós se percam na minha memória e aí talvez eu já não os reveja na minha cabeça, com a eterna dúvida a dançar-me no pensamento. Talvez um dia o teu coração se cure, e talvez um dia o meu se acalme e se agite menos ao ouvir a tua voz. Talvez um dia sejamos menos nós...

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Desafio 5 revelações



1º Seguir as regras;
2º Levar o selo acima que identifica quem está, esteve ou estará no desafio; (estraga-me a estética do blog mas... regras são regras)
3º Completar as seguintes frases:
a) Eu já...
b) Eu nunca...
c) Eu sei...
d) Eu quero...
e) Eu sonho...
4º Depois de completar a frase com as respostas indicar 5 blogs para dar sequência ao desafio.
*
A Mysterious Girl passou-me o desafio. Cá vai disto...
a) Eu já... saltei de pára-quedas.
b) Eu nunca... me deito sem lavar os dentes.
c) Eu sei... que estou a fazer uma grande asneira a meter-me com um homem comprometido.
d) Eu quero... escrever um livro.
e) Eu sonho... pôr uma mochila às costas e ir fazer voluntariado pelo Mundo fora.
*
E agora vou fazer batota e passar o desafio a quem quiser fazê-lo. É vosso!

domingo, 15 de Novembro de 2009

Um dia vais sair de mim...

Na sexta-feira fui sair de novo. Ao início só saía para não te lembrar, para não nos pensar, mas com o tempo habituei-me às saídas todos os fins-de-semana e agora estou mesmo a gostar. Até voltei a beber, eu que me afastei do álcool tantos anos (sabes porquê), agora dificilmente me vejo sem uma vodka preta na mão. Cheguei cedo à discoteca na margem sul, aquela de que já ouvia falar há tanto tempo - até éramos para ter ido juntos à inauguração, lembras-te? Em poucos minutos dirigi-me a um dos bares para aproveitar a primeira bebida grátis da noite. O barman (giro que até dói) disse-me que a vodka preta não estava incluída nas bebidas grátias. Ok, Bacardi com sumo de limão então. Menos de uma hora depois já estava gente suficiente para ir para a pista. Dediquei boa parte da noite a fazer aquilo que agora faço sempre: ver as "vistas", procurar com o olhar um homem giro, até fixar o olhar no dele para lhe chamar a atenção. Bom, isto raramente acontece. Porque ninguém me chama particularmente a atenção (tirando o tal barman e o seu outro colega barman, mas esses eu percebo que são areia demais para a minha camioneta). Olho em volta atentamente, alguns olhares fixam-se no meu, mas o meu não se fixa em nenhum. Lembro-me de ti. Tenho a certeza que, se não te conhecesse e te visse ali, irias chamar-me a atenção. Imagino-te e quase consigo ver-te ali, ao pé da pista (nunca no meio), de copo na mão (provavelmente Malibu com ananás - o que eu gozava contigo, Malibu é bebida de gaja), a outra mão no bolso, os olhos fechados, a cabeça levantada e o corpo a abanar ao ritmo da batida. Vejo-te o cabelo espetado com gel, as calças largas e a t-shirt mais ou menos justa, a pulseira de couro no pulso direito e o relógio que te ofereci no esquerdo. Se não te conhecesse, sim, fixava o meu olhar no teu e tu - que te perdias por raparigas de olhos claros - provavelmente ias corresponder. Quando dou por mim, a primeira bebida já foi, perante o olhar incrédulo da minha amiga, que pediu o mesmo e ainda tem o copo a meio. Vou ao mesmo bar, faço o meu melhor olhar sedutor e peço mais um Bacardi com limão ao mesmo barman giro. Afasto-me já a beber e constato que ele trocou a minha bebida com outra. Não sei o que é aquilo, mas sabe mesmo mal. Não me importo. Percebo que é forte, e é grátis, e a meio do copo já me sinto muito mais leve, por isso continuo a beber. Preciso de te tirar do pensamento. Volto para a pista. Estou a tentar esquecer-te, a conseguir esquecer-te, a abanar o corpo ao ritmo das músicas que adorei por serem tão pouco comerciais. E, de repente, aqueles acordes. Não estava à espera daquilo. Aqueles acordes tão familiares, os acordes que sei de cor, de tantas vezes que carreguei no replay para ouvir a música vezes e vezes sem conta, enquanto pensava em ti. A voz do Bono entra em cena. See the stone set in your eyes/ see the thorn twist in your side/ and i wait for you... Páro de beber e olho em volta. Toda a gente se abana ao som da música, e eu também não páro. Sleight of hand and twist of fate/ on a bed of nails she makes me wait/ and i wait without you... Sinto-te a crescer dentro de mim. With or without you... With or without you... O teu olhar, a tua pele... O teu rosto de primavera. Through the storm we reach the shore/ you give it all but i want more/ and i'm waiting for you... Olho em volta mais uma vez. Há tanta gente no Mundo. Tu foste especial, mas há tantas pessoas lá fora. With or without you... With or without you... I can't live/ with or without you... Um dia vais sair de dentro de mim. Não do teu espacinho no meu peito, mas de mim, da minha pele, dos meus dedos, do nó na garganta que ainda me causas. And you give yourself away/ and you give yourself away/ and you give... and you give... and you give yourself away... Levo o copo aos lábios e dou dois valentes golos naquela mistura horrível que já começa a fazer o chão fugir-me de debaixo dos pés. Levanto a cabeça para o céu e fecho os olhos. Respiro fundo e continuo a ouvir a música... é... um dia tu vais sair de mim.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Tenho dito.

Eu nem tenho o hábito de deixar aqui mais do que um post por dia. Mas hoje à tarde, quando andava pela blogosfera, num dos blogues que costumo visitar, vi um post em que a pessoa em questão dizia como ficava de coração apertado sempre que via um sem-abrigo. Solidária, fui comentar, pronta a partilhar a dor dela. E foi então que me surpreendi, e muito, pela negativa. Porque havia comentários a dizer coisas como "ah a mim também me fazia confusão mas depois habituas-te". E o mais preocupante é que eram pessoas novas. Depois habituas-te...? Depois habituas-te??!! Ao quê, ao sofrimento dos outros? A ver pessoas que tiveram tanto azar ou fizeram tantas más escolhas que acabaram sem um tecto em cima da cabeça, sem um lar, sem um amigo que lhes estendesse a mão...? Ao facto de aquelas pessoas terem de engolir a sua dignidade, dia após dia, permanecendo de mão estendida enquanto o resto do Mundo passa e finge não ver...? Ao facto de um dia podermos ser nós ali, naquele chão, naquelas roupas imundas, naquele orgulho engolido...?? Eu não me habituo, desculpem lá. Eu recuso-me a habituar-me. E recuso-me a virar a cara quando os vejo. E hei-de sempre dar uma moeda àquela velhinha do metro que toda a gente ignora menos eu. E eu vejo muito bem como algumas pessoas me olham, como se estivesse a alimentar um parasita, mas nem quero saber. Essas pessoas é que deviam ter vergonha, porque podem comprar roupa nova todos os meses e não podem dar uma moeda a quem não tem que comer. E eu sei que não vou mudar o Mundo. Mas também sei que um dia um grande senhor disse esta frase, e é uma das que faz mais sentido para mim: "Sê a mudança que queres ver no Mundo.". Pode ser mais difícil do que habituar-me, mas eu recuso-me (e bato o pé se for preciso!) a acreditar que são estas as pessoas que vão habitar o Mundo daqui para a frente, com tão pouca fé na humanidade e tanta coragem para se habituarem à miséria que nos rodeia no dia-a-dia.
Este post já vai ficar um bocado longo, mas deixo este texto aqui na mesma... Porque tem tudo a ver.
*
O Mundo, como ele é hoje, incomoda-me. Sempre fui sonhadora por natureza, desde pequena que sonhava que, um dia, ia adoptar uma criancinha daquelas que aparecem na televisão, com uma barriga grande demais da fome, e com os olhos vazios demais da solidão. Ia ficar com ela e tomar conta dela, e dar-lhe tudo o que uma criança deve ter. E faria a diferença na vida de alguém. Hoje, ainda acredito que vou mudar o Mundo. Ainda acredito que, um dia, as pessoas vão dizer "Antigamente, os animais eram maltratados e utilizados em circos, em touradas, eram torturados para mero prazer dos homens que se achavam mais viris por os enfrentarem. Eram esfolados, muitas vezes ainda vivos, apenas para que as pessoas pudessem andar por aí enfeitadas com as suas peles. Eram abandonados à sua própria sorte (ou azar) e ninguém fazia nada. Antigamente, havia pessoas a viver nas ruas, porque tinham tido azar demais na vida e não tinham uma casa para viver nem ninguém para as ajudar. Morriam de frio nas ruas em que viviam e as pessoas que tinham casa e que passavam por elas viravam a cara para o outro lado para não terem de encarar a mão que se estendia a implorar uma moeda, para não terem de ver a miséria que as rodeava. Antigamente, havia milhares de crianças a morrer de fome, de sede, de doenças que tinham cura, apenas porque não havia meios (nem vontade...) para as ajudar. Antigamente, gastava-se milhões de euros em futebol, em filmes, em espectáculos de entretenimento, mas a pobreza, a fome, o frio, a sede, as doenças, a solidão, permaneciam por todo o lado porque não havia dinheiro para resolver estes problemas. Antigamente, havia crianças que não podiam ir à escola porque os pais não tinham posses para lhes garantir algo tão básico como o direito à educação. Antigamente ninguém se preocupava com a poluição e o meio ambiente, e a Terra estava em risco de se tornar inabitável, e ninguém queria saber.... Antigamente, o Mundo era um sítio feio para se viver... Felizmente, hoje é um sítio muito melhor." Eu ainda acredito que um dia as pessoas vão dizer isto. Basta que algumas pessoas tenham a coragem de dar um passo em frente para mudar o Mundo. Talvez não lhe devesse chamar coragem, porque já acho que coragem é o que é preciso para ignorar todos os problemas que nos rodeiam.... Eu tento mudar o Mundo aos poucos. Dou tempo, dou atenção, dou carinho, dou bens materiais, dou o que posso. Mas dou. E tu, vais continuar a ter a coragem de ignorar?

Because of you

Porque esta música arrepiou-me no concerto. Porque diz tanto. E tu mesmo ali ao lado...